Inteligência Emocional: Analfabetismos Emocional.

domingo, 22 de maio de 2011


By Jonatan de Jesus


Salienta GOLEMAN (2007) Tomemos consciência da necessidade, urgente de ensinamentos que objetivem o controle das emoções, as resoluções de desentendimentos de forma pacífica e, enfim, a boa convivência entre pessoas. Os educadores há muito preocupados com as notas baixas dos alunos em matemática e leitura, começam a constatar que existe um outro tipo de deficiência e que é mais alarmante: o analfabetismo emocional. Apesar dos louváveis esforços que visam melhorar o desempenho acadêmico, esse novo tipo de deficiência ainda não ganhou espaço no currículo escolar. Como diz Paulo Freire: ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.

Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. (FREIRE 1996,39)

Enfatiza PERRENOUD(1999) Não é verdade que o contexto de transformação em que se encontra a escola produza mudanças automáticas. Esta transformação deve ser lida e decodificada para incitar a escola à mudança. Ora, os professores e os pais que se apegam ao status quo não tem nenhum interesse em fazer essa leitura. Por outras razões, todos os que acham que a escola custa caro demais e que os impostos são muito pesados colocam-se no campo dos conservadores. As forças que querem adaptar a escola à evolução da sociedade então são pouco numerosas e constituem uma aliança instável. Em outras palavras, a idéia de que a escola deva formar o maior número de pessoas levando em conta a evolução da sociedade não é combatida abertamente, mas ela só é um princípio motor para aqueles que a tomam verdadeiramente a sério e fazem disso uma prioridade.

Relata GOLEMAN (2007) nos seus estudos e pesquisa com crianças entre 7 e 16 anos comparando suas condições emocionais em meados da década de 1970 e no fim dos anos 80 com base nas avaliações de professores e pais houve uma piora constante, todos indicadores apontavam simplesmente para o lado negativo. As crianças em média não estavam bem nos seguintes pontos específicos: Retraimento ou problema de relacionamento social preferindo ficar sozinhas; ser cheias de segredos; amurar-se muito; falta de energia; sentir-se infeliz; ser muito dependente. Entre outras ansiosas e deprimidas: ser solitário; ter muitos medos e preocupações; auto-exigência exacerbada; não se sentir amado; sentir-se nervoso triste e deprimido. Problemas de atenção ou de raciocínio, dificuldade de concentração, incapacidade de afastar pensamentos. Delinqüentes ou agressivos: andar com grupos que se metem em encrencas; mentir e trapacear; discutir muito; falar demais; provocar demais; ter pavio curto; desobedecer em casa e na escola; destruir as coisas dos outros chamar atenção para si. Esse mal-estar emocional parece ser o preço que a modernidade cobra as crianças. FREIRE(2007) ele acredita que ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.


No mundo da história, da cultura, da política, constato não para me adaptar mas para mudar...Há perguntas a serem feitas insistentemente por todos nós e que nos fazem ver a impossibilidade de estudar por estudar. De estudar descomprometidamente como se misteriosamente, de repente, nada tivéssemos que ver com o mundo, um lá fora e distante mundo, alheado de nós e nós dele...preservar situações concretas de miséria é uma imoralidade. (FREIRE 1996;77;79).

Relata de maneira surpreendente GOLEMAN (2007) Nenhuma criança, rica ou pobre, é imune a problemas; isto é universal e ocorre em todos os grupos étnicos, raciais e de renda. Na falta de bons sistemas de apoio, as tensões externas tornaram-se tão grandes que mesmo famílias bem-estruturadas estão desmoronando. A atividade febril, instabilidade e inconsistência da vida diária grassam em todos os segmentos de nossa sociedade, incluindo os bem-educados e ricos. O que está em jogo é a próxima geração, sobretudo a dos homens que, quando adultos, ficam especialmente vulneráveis a forças desintegradoras como os efeitos devastadores do divorcio, da pobreza, e do desemprego. Freire fala que ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo:

Intervenção que além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento... Nem apenas reprodutora nem apenas desmascaradora da ideologia dominante  (FREIRE 1996, 98)

De uma certa forma coloca GOLEMAN (2007) Tudo isso acarreta, mesmo para pais bem-intencionados, a perda, cada vez maior, de incontáveis oportunidades para pequenos e protetores intercâmbios com seus filhos, fundamentais para o desenvolvimento das aptidões emocionais, e como corretivos ou preventivos bem orientados pais e professores podem manter mais crianças no caminho certo. Na questão agressividade, a agressividade na infância lega que a vida em família dessas crianças agressivas inclui, normalmente, pais que alternam abandono com castigos severos e arbitrários, um comportamento que, talvez compreensivelmente, torna a criança meio paranóica ou belicosa. As pessoas que em geral são agressivas agem com base na presunção de hostilidade ou ameaça, dando muito pouca atenção ao que de fato se passa. ATAIDE(2009) diz:

Na pré-adolescência exacerbem-se os atritos com os familiares porque, cada vez mais, a’’galera’’ ocupa o centro de atenção e interesses do garoto e ele procura libertar-se da família. É, contudo, a partir dos 15 anos ou da adolescência que se acentua a aproximação com as quadrilhas e o crime organizado, porque, além das implicações crescentes de dependência de drogas, há a descrença do pensamento mágico de que tudo vai melhorar um dia. A ambição agora é compensar o passado de privações. ( ATAIDE 2009. 221).

As crianças que , ao entrarem na escola, já trazem de casa um estilo ‘’coercitivo’’-ou seja, ameaçador-também são descartadas pelos professores, que têm de passar muito tempo mantendo a disciplina. O não cumprimento das regras de sala de aula que é característico dessas crianças as faz desperdiçar um tempo que poderia ser utilizado para aprenderem; o futuro fracasso acadêmico se torna óbvio por volta da terceira serie.

Preocupado fala GOLEMAN (2007) Na quarta ou quinta serie esse garoto a essa altura considerada como arruaceiros, ou apenas ‘’difíceis’’ são rejeitados pelos colegas e incapazes de fazer amigos com facilidade, quando o fazem, e já se tornam fracassos acadêmicos. Sentindo-se sem amigos, gravitam pelo lado de outros que também são socialmente marginalizados. Entre a quarta série e o segundo grau, ligam-se a esse grupo e passam a praticar atos de desrespeito à lei; aí, quintuplicam as faltas às aulas, o consumo de bebidas e drogas, que aumentam consideravelmente entre a sétima e a oitava série. No secundário, junta-se a eles outro tipo de ‘’atrasados’’, atraídos por seu estilo contestador, esses atrasados muitas vezes são meninos completamente sem supervisão em casa, e que começaram a vagar pelas ruas já no primário. No ginásio. Esse grupo marginalizado normalmente abandona a escola, descamba para a delinqüência, dedicando-se a pequenos delitos como furto em lojas, roubos e tráfico de drogas.

Para ajudar a melhorar relacionamentos principalmente na escola GOLEMAN (2007) salienta: fazer amigos, sentir-se mais confiante com outros adolescente, impor limites de proximidade sexual, se envolver, manifestar seus sentimentos. Em essência, uma orientação remediadora de algumas das mais básicas aptidões emocionais. Para prevenções o próprio GOLEMAN (2007) traz ingredientes eficazes de aptidões são: Aptidões emocionais; - Identificar e rotular sentimentos, expressar sentimentos, avaliar a intensidade dos sentimentos, lidar com sentimentos, adiar a satisfação, controlar impulsos, reduzir tensões e saber a diferença entre sentimentos e ações. Nas aptidões cognitiva são: - falar consigo mesmo, ler e interpretar indícios sociais, usar etapas para resolver problemas e tomar decisões, compreender a perspectiva dos outros, compreender normas de comportamento e autoconsciência. E por fim as aptidões comportamentais são: não verbais- comunicar-se por contato ocular, expressão facial, tom de voz, gestos e assim por diante, verbais- fazer pedidos claros, responder eficientemente à crítica, resistir a influências negativas, ouvir os outros, participar de grupos positivos de colegas.

É evidente que as causas de todos esses problemas agressão, depressão, na infância e adolescência, arruaceiros, distúrbio de alimentação, raiva, rejeição, e vários outros problemas emocionais que geram comportamentos de analfabetismo emocional como diz GOLEMAN (2007)... São complexas, entremendando diversos dados de herança biológica, dinâmica familiar, uma política aplicada às questões da pobreza a à cultura das ruas. Não existe um tipo único de intervenção, inclusive aquele que diz respeito às emoções, que possa solucioná-los. Mas, na medida em que deficiência emocionais aumentam o risco para a criança-e vimos que aumenta muito-, deve-se dar atenção aos remédios emocionais juntamente com outras medidas. A pergunta é: como é uma educação sobre emoção?

FONTE: Parte da monografia de Jonatan de Jesus.

AMORIM Antonio, LIMA Arnaud Soares Jr. e MENEZES Jaci Maria Ferraz Educação e contemporaneidade processos e metamorfoses Rio de Janeiro: Quartet, 2009

FREIRE Paulo Pedagogia da Autonomia São Paulo: Paz e Terra, 1996.


GOLEMAN Daniel, Inteligência Emocional Rio de Janeiro: Objetiva, 2007; 10ºEd.

1 comentários:

  1. TEIA disse...:

    Olá Jonatan.
    Post divulgado na Teia.
    Até.

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É da máxima importância reconhecer e estimular todas as variadas inteligências humanas e todas as combinações de inteligências. Nós somos todos tão diferentes, em grande parte, porque possuímos diferentes combinações de inteligências. Se reconhecermos isso, penso que teremos pelo menos uma chance melhor de lidar adequadamente com os muitos problemas que enfrentamos neste mundo. Howard Gardner (1987)

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