Você pode

terça-feira, 31 de maio de 2011
 
"Se você pensa que pode, você pode. Se pensa que não pode, tem razão."
Você pode curtir ser quem você é, do jeito que você for, ou viver infeliz por não ser quem você gostaria de ser.
Você pode olhar com ternura e respeito para si próprio e para as outras pessoas ou com aquele olhar de censura, que poda, pune, fere e mata, sem nenhuma consideração para com os desejos, limites e dificuldades de cada um, inclusive os seus.
Você pode amar e deixar-se amar de maneira incondicional, ou ficar se lamentando pela falta de gente à sua volta.
Você pode ouvir seu coração e viver apaixonadamente ou agir de acordo com o figurino da cabeça, tentando analisar e explicar a vida antes de vivê-la.
Você pode deixar como está para ver como é que fica ou com paciência e trabalho conseguir realizar as mudanças necessárias na sua vida e no mundo à sua volta.
Você pode deixar que o medo de perder paralise seus planos ou partir para a ação com o pouco que tem e muita vontade de ganhar.
Você pode amaldiçoar sua sorte ou encarar a situação como uma grande oportunidade de crescimento que a vida lhe oferece.
Você pode mentir para si mesmo, achando desculpas e culpados para todas as suas insatisfações ou encarar a verdade de que, no fim das contas, sempre você é quem decide o tipo de vida que quer levar.
Você pode escolher o seu destino e, através de ações concretas caminhar firme em direção a ele, com marchas e contramarchas, avanços e retrocessos, ou continuar acreditando que ele já estava escrito nas estrelas e nada mais lhe resta a fazer senão sofrer.
Você pode viver o presente que a vida lhe dá ou ficar preso a um passado que já acabou – e, portanto não há mais nada a fazer –, ou a um futuro que ainda não veio – e que, portanto não lhe permite fazer nada.
Você pode ficar numa boa, desfrutando o máximo das coisas que você é e possui ou se acabar de tanta ansiedade e desgosto por não ser ou não possuir tudo o que você gostaria.
Você pode engajar-se no mundo, melhorando a si próprio e, por consequência, melhorando tudo que está à sua volta ou esperar que o mundo melhore para que então você possa melhorar.
Você pode continuar escravo da preguiça ou comprometer-se com você mesmo e tomar atitudes necessárias para concretizar o seu plano de vida.
Você pode aprender o que ainda não sabe ou fingir que já sabe tudo e não precisa aprender mais nada.
Você pode ser feliz com a vida como ela é ou passar todo o seu tempo se lamentando pelo que ela não é.
A escolha é sua e o importante é que você sempre tem escolha.
Pondere bastante ao se decidir, pois é você que vai carregar – sozinho e sempre – o peso das escolhas que fizer.
Autor desconhecido
Códigos da Vida - Legrand - Editora Soler

CONCEITOS DE PLANO DE AULA

sexta-feira, 27 de maio de 2011
O plano de aula é caracterizado pela descrição específica de tudo que o professor realizará em classe durante as aulas de um período específico. Na sua elaboração alguns pontos são muito importantes como:

• Dados de identificação do professor e da escola;
• Os objetivos a serem alcançados com as aulas que serão ministradas;
• Conteúdo que será ministrado em cada aula, o qual deve seguir uma linha cronológica do processo de aprendizagem;
• Os procedimentos utilizados para aprendizagem dos alunos, ou seja, são as fases da aprendizagem;
• Os recursos que serão utilizados para alcançar os objetivos;
• E, por último, as metodologias de avaliação, ou seja, as técnicas avaliativas que o professor utilizará para avaliar o aprendizado do educando.

Na elaboração de um plano de aula devem ser considerados vários pontos e critérios que unidos especificam quais os objetivos finais o professor espera alcançar no decorrer da explicação dos conteúdos. Os critérios que o professor deve estar atento durante a confecção de seu plano de aula são:

• Adequação dos estímulos;
• Especificação operacional;
• Estrutura flexível;
• Ordenação.

Além de conter esses critérios, o plano de aula deve ser elaborado seguindo as fases da aprendizagem, ou seja, deve seguir uma linha de ensino-aprendizagem contínua. São as fases de aprendizagem: apresentação, desenvolvimento e integração. Na apresentação o professor prepara a classe para a compreensão de novos conteúdos. No desenvolvimento acontece a análise. Nessa etapa acontece o processo de orientação e aprendizagem do aluno. É nessa etapa que acontece o estudo de um texto, a realização de um experimento, a resolução de exercícios, etc. A integração é a etapa final. Nessa fase o professor faz a verificação dos resultados obtidos pelos alunos na fase do desenvolvimento.
Por Marco Aurélio da Silva
Equipe Brasil Escola

DICAS PARA SE FAZER UM PLANO DE AULA
Os OBJETIVOS abrangem seis grandes áreas do conhecer:
• Conhecimento – Conhecer, apontar, criar, identificar, descrever, classificar, definir, reconhecer e relatar no final, pois, se trata de RE.
• Compreensão – Compreender, concluir, demonstrar, determinar, diferenciar, discutir, deduzir, localizar, reafirmar no final por causa do RE.
• Aplicação – Aplicar, desenvolver, empregar, estruturar, operar, organizar, praticar, selecionar, traçar. Não tem RE.
• Análise – Analisar, comparar, criticar, debater, diferenciar, discriminar, investigar, provar. Não tem RE.
• Síntese – Sintetizar, compor, construir, documentar, especificar, esquematizar, formular, propor, reunir, voltar. Não tem RE.
• Avaliação – Avaliar, argumentar, contratar, decidir, escolher, estimar, julgar, medir, selecionar. Não tem RE.
Todo OBJETIVO tem que ter um verbo do CONHECIMENTO e outro da AVALIAÇÃO. Objetivo não se repete verbo. (+ ou – 5)
COMPETÊNCIAS – Tem que ter verbos da COMPREENSÃO e da APLICAÇÃO. (+ ou – 3)
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO OU EIXO TEMÁTICO – CONTEÚDO PROGRAMÁTICO quando for sobre a apostila/livro na sua totalidade e EIXO TEMÁTICO quando for apenas de uma parte/capítulo.
METODOLOGIA – Aula expositiva dialógica (Vice-Versa), exposição via televisão ou via televisão/DVD de filme, documentário, clipe e etc. Exposição de transparências via retro projetor, elaboração de fichamentos, resumos de textos pré-selecionados, mapeamentos, resolução de exercícios, aplicação de mini aulas, utilização de recursos instrucionais (giz, quadro, apostila, TV, dvd).
AÇÃO DIDÁTICA – Separada por momentos, descreve de maneiro breve o que se vai trabalhar na sala de aula, só pode ter verbos terminados em MENTO e AÇÃO. (+ ou – 3) Exemplo:
Primeiro Momento
Segundo Momento
Terceiro Momento
HABILIDADES – O que o aluno deverá desenvolver/adquirir durante as aulas, usando os verbos no substantivo, terminado em MENTO ou AÇÃO.
AVALIAÇÃO – Forma com que o aluno será avaliado pelo professor. Pode usar verbos sem o R, como por exemplo: CANTAR – CANTA. (+ ou – 3)

Embora muitos professores estejam nos exercícios de sua função por muito tempo, ainda assim nas reuniões das quais participam eles são aconselhados a traçar um plano de aula. Isso porque fica bem mais fácil tanto para eles como para seus alunos ter a melhor noção do que está sendo tratado em sala de aula, facilitando o entendimento e a explicação. Segue abaixo um modelo de plano de aula:
Roteiro básico para Plano de Aula


(Cada aula obedecerá a um plano específico)
I. Plano de Aula: Data:
II. Dados de Identificação:
Escola:
Professor (a):
Professor (a) estagiário (a):
Disciplina:
Série:
Turma:
Período:

III. Tema:
- o tema específico a ser desenvolvido nesta aula
- conceito fundamental: referência sucinta de base historiográfica que sustenta o tema

IV. Objetivos: a serem alcançados pelos alunos e não pelo estagiário; objetos da avaliação (item VIII);
Objetivo geral: projeta resultado geral relativo a execução de conteúdos e procedimentos
Objetivos específicos: especificam resultados esperados observáveis (geralmente de 3 a 4).
OBS.: começa-se sempre com verbos indicativos de habilidades como, por exemplo:
ao nível de conhecimento – associar, comparar, contrastar, definir, descrever, diferenciar, distinguir, identificar, indicar, listar, nomear, parafrasear, reconhecer, repetir, redefinir, revisar, mostrar, constatar, sumariar, contar;
ao nível de aplicação – calcular, demonstrar, tirar ou extrair, empregar, estimar, dar um exemplo, ilustrar, localizar, medir, operar, desempenhar, prescrever, registrar, montar, esboçar, solucionar, traçar, usar;
ao nível de solução de problemas – advogar, desafiar, escolher, compor, concluir, construir, criar, criticar, debater, decidir, defender, derivar, desenhar, formular, inferir, julgar, organizar, propor, ordenar ou classificar, recomendar.

V. Conteúdo: conteúdos programados para a aula organizados em tópicos.

VI. Desenvolvimento do tema: descrição da abordagem teórica e prática do tema
VII. Recursos didáticos: (quadro, giz, retro-projetor, etc.) e fontes histórico-escolares (filme, música, quadrinhos, etc.)
VIII. Avaliação: pode ser realizada com diferentes propósitos (diagnóstica, formativa e somativa). Discriminar, com base nos objetivos estabelecidos para a aula:
- atividades (ex: respostas às perguntas-problema ao final da aula, discussão de roteiro, compreensão de gravuras, trabalho com documentos, etc.)
- critérios adotados para correção das atividades.
XIX. Bibliografia: indicar toda a bibliografia consultada para o planejamento da aula dividindo-a entre básica e complemente.
Esse é um planejamento de aula muito útil, em que você pode se basear para fazer o seu.
PLANO DE AULA - EXEMPLO

Escola
Disciplina
Série
Unidade Didática
Área(s) de arte a utilizar.

Objetivos
Expressar-se e comunicar-se em artes mantendo uma atividade de busca pessoal e/ou coletiva, articulando a percepção, a imaginação, a emoção, a reflexão e sensibilidade  de realizar produções artísticas.

Conteúdos
A arte como expressão e comunicação dos indivíduos

Procedimentos
a) Organizar uma aula em que os alunos tenham a oportunidade de apreciar os mais diversos objetivos
b) Expor os objetivos em lugar que todos possam observar atentamente
c) Pedir que cada um retire o objeto que mais lhe agrade
d) Estabelecer com os alunos uma conversa sobre a escolha realizada, os motivos que os levaram a escolha de tal objeto: forma, cor, textura, função, etc
e) Propor que cada um faça um desenho de observação do objeto escolhido.

Recurso
a) Vasos, caixinhas, bonecas, adereços, lenços, desenhos, postais, instrumentos musicais, outros.
b) Material para desenho : giz de cera, suporte-papel

Avaliação
a) O estabelecimento de relações (definidos para laços afetivos, sensações, referencias, estranheza, novidade, etc).
b) A expressão oral e a comunicação
c) Atitude de busca pessoal
d) O envolvimento em articular percepção, imaginação, emoção, reflexão
e) A expressão gráfica ao realizar sua produção artística

Falando por metáforas

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Penny Tompkins

Você já conversou com um aluno e ele disse: "Você sabe, é como ..."? É provável que sim, porque todos nós usamos metáforas para descrever as nossas experiências. Qualquer coisa que ele colocar depois do como "...", será uma metáfora, e terá um significado importante para ele. (nota 1)
Alguns professores desprezam as metáforas dos alunos e as consideram comentários "descartáveis". Mas outros, com habilidades apuradas de rapport, aprenderam a ouvir, com bastante carinho, às metáforas dos seus alunos e por isso eles podem conversar dentro da lógica ou do "contexto" da metáfora.
Esses professores sabem intuitivamente que metáfora não é uma incursão ocasional no mundo da linguagem figurativa, mas a base fundamental para a cognição diária. George Lakoff e Mark Johnson afirmam:
"Em todos os aspectos da vida,...nós definimos a nossa realidade em termos de metáforas e depois agimos com base na metáfora. Nós tiramos conclusões, estabelecemos metas, assumimos compromissos e executamos planos, tudo na base de como nós, em parte, estruturamos a nossa experiência, consciente e inconscientemente, por meio da metáfora". (nota 2)
Perguntas específicas são necessárias para explorar as metáforas do aluno sem introduzir a nossa própria. Essas perguntas, chamadas de Linguagem Clara, são planejadas para respeitar e reconhecer a experiência do aluno ao usar as mesmas palavras dele.
Recentemente eu estava trabalhando com uma aluna que tinha grandes dificuldades tentando descrever porque tomar decisões era um problema para ela.
"E tomar decisão é como o que?" perguntei.
Ela pensou um pouco e respondeu:
"Você sabe, é como ir ao dentista. Eu estou na sala de espera e estou morrendo de medo de entrar".
Com essa descrição muito rica da experiência dela, eu simplesmente respondi:
"E quando você está na sala de espera do dentista, tem mais alguma coisa junto com o morrendo de medo de entrar?" (cuidado para usar as mesmas palavras dela).
Eu podia dizer que ela estava totalmente dentro da metáfora dela pelo tempo que levou para responder:
"Eu realmente preciso de coragem".
"E de que tipo é essa coragem?" foi a minha próxima pergunta.
"Uma coragem que vai me ajudar a entrar, ao invés de demorar ainda mais."
"E quanto à coragem que irá ajudá-la a entrar, onde está essa coragem?"
Ela tocou o peito com a mão direita e disse:
"Aqui dentro".
"E onde fica esta coragem dentro de você?"
"No meu coração".
Eu continuei fazendo perguntas com a Linguagem Clara sobre a metáfora dela, porque assim ela podia desenvolver mais o seu recurso da coragem. No final do tempo que passamos juntas, ela disse: "Se quando começamos, você tivesse me feito um comentário que "indo ao dentista" poderia ligar tão diretamente com a minha tomada de decisão, eu não teria acreditado. De fato, você não ia conseguir me dizer, eu tinha que experimentar sozinha."
Nos exemplos acima, eu usei cinco das nove perguntas básicas da Linguagem Clara:
"E ... é como o que?"
"E quando ... tem alguma coisa mais por lá...?"
"E que tipo de ... é essa...?"
"E quando ... onde está isso...?"
"E aonde ...?"
Conversar dentro da metáfora do aluno é o equivalente físico simbólico do acompanhar e espelhar – exceto que mostra o aluno num nível mais elevado. Ao invés de reconhecer como eles se movem no mundo, você está reconhecendo como eles dão sentido à sua experiência. Tente e veja você mesmo.
Notas:
1. Uma comparação é apenas uma metáfora que é rotulada de metáfora – por exemplo usando "como".
2. Lakoff and Johnson, Metáforas da Vida Cotidiana.
3. Para as demais perguntas, veja os outros artigos nesse site sobre Modelagem Simbólica e a Linguagem Clara de David Grove
Penny Tompkins é psicoterapeuta de PNL e Trainer de PNL Certificado. Ela é co-autora do Metaphors in Mind: transformation through Symbolic Modelling.
Artigo publicado sob título Conversing with Metaphor no New Learning - The Journal of the NLP Education Network – primavera de 2001 e no site www.cleanlanguage.co.uk
Tradução JVF, direitos da tradução reservados.
Estamos utilizando as mudanças ortográficas nos artigos novos.

O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: JOGAR, BRINCAR UMA FORMA DE EDUCAR.

segunda-feira, 23 de maio de 2011




Sandra Regina Dallabona
Sueli Maria Schmitt Mendes


O PAPEL DA LUDICIDADE NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL



Vygotsky (1984) atribui relevante papel ao ato de brincar na constituição do pensamento infantil. É brincando, jogando, que a criança revela seu estado cognitivo, visual, auditivo, tátil, motor, seu modo de aprender e entrar em uma relação cognitiva com o mundo de eventos, pessoas, coisas e símbolos. A criança, por meio da brincadeira, reproduz o discurso externo e o internaliza, construindo seu próprio pensamento. A linguagem, segundo Vygotsky (1984), tem importante papel no desenvolvimento cognitivo da criança à medida que sistematiza suas experiências e ainda colabora na organização dos processos em andamento. De acordo com Vygotsky (1984, p.97), a brincadeira cria para as crianças uma “zona de desenvolvimento proximal” que não é outra coisa senão a distância entre o nível atual de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível atual de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz. Por meio das atividades lúdicas, a criança reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano, as quais, pela imaginação e pelo faz-de-conta, são reelaboradas. Esta representação do cotidiano se dá por meio da combinação entre experiências passadas e novas possibilidades de interpretações e reproduções do real, de acordo com suas afeições, necessidades, desejos e paixões.
Estas ações são fundamentais para a atividade criadora do homem.

Inteligência Emocional: Analfabetismos Emocional.

domingo, 22 de maio de 2011


By Jonatan de Jesus


Salienta GOLEMAN (2007) Tomemos consciência da necessidade, urgente de ensinamentos que objetivem o controle das emoções, as resoluções de desentendimentos de forma pacífica e, enfim, a boa convivência entre pessoas. Os educadores há muito preocupados com as notas baixas dos alunos em matemática e leitura, começam a constatar que existe um outro tipo de deficiência e que é mais alarmante: o analfabetismo emocional. Apesar dos louváveis esforços que visam melhorar o desempenho acadêmico, esse novo tipo de deficiência ainda não ganhou espaço no currículo escolar. Como diz Paulo Freire: ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.

Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. (FREIRE 1996,39)

Enfatiza PERRENOUD(1999) Não é verdade que o contexto de transformação em que se encontra a escola produza mudanças automáticas. Esta transformação deve ser lida e decodificada para incitar a escola à mudança. Ora, os professores e os pais que se apegam ao status quo não tem nenhum interesse em fazer essa leitura. Por outras razões, todos os que acham que a escola custa caro demais e que os impostos são muito pesados colocam-se no campo dos conservadores. As forças que querem adaptar a escola à evolução da sociedade então são pouco numerosas e constituem uma aliança instável. Em outras palavras, a idéia de que a escola deva formar o maior número de pessoas levando em conta a evolução da sociedade não é combatida abertamente, mas ela só é um princípio motor para aqueles que a tomam verdadeiramente a sério e fazem disso uma prioridade.

Relata GOLEMAN (2007) nos seus estudos e pesquisa com crianças entre 7 e 16 anos comparando suas condições emocionais em meados da década de 1970 e no fim dos anos 80 com base nas avaliações de professores e pais houve uma piora constante, todos indicadores apontavam simplesmente para o lado negativo. As crianças em média não estavam bem nos seguintes pontos específicos: Retraimento ou problema de relacionamento social preferindo ficar sozinhas; ser cheias de segredos; amurar-se muito; falta de energia; sentir-se infeliz; ser muito dependente. Entre outras ansiosas e deprimidas: ser solitário; ter muitos medos e preocupações; auto-exigência exacerbada; não se sentir amado; sentir-se nervoso triste e deprimido. Problemas de atenção ou de raciocínio, dificuldade de concentração, incapacidade de afastar pensamentos. Delinqüentes ou agressivos: andar com grupos que se metem em encrencas; mentir e trapacear; discutir muito; falar demais; provocar demais; ter pavio curto; desobedecer em casa e na escola; destruir as coisas dos outros chamar atenção para si. Esse mal-estar emocional parece ser o preço que a modernidade cobra as crianças. FREIRE(2007) ele acredita que ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.


No mundo da história, da cultura, da política, constato não para me adaptar mas para mudar...Há perguntas a serem feitas insistentemente por todos nós e que nos fazem ver a impossibilidade de estudar por estudar. De estudar descomprometidamente como se misteriosamente, de repente, nada tivéssemos que ver com o mundo, um lá fora e distante mundo, alheado de nós e nós dele...preservar situações concretas de miséria é uma imoralidade. (FREIRE 1996;77;79).

Relata de maneira surpreendente GOLEMAN (2007) Nenhuma criança, rica ou pobre, é imune a problemas; isto é universal e ocorre em todos os grupos étnicos, raciais e de renda. Na falta de bons sistemas de apoio, as tensões externas tornaram-se tão grandes que mesmo famílias bem-estruturadas estão desmoronando. A atividade febril, instabilidade e inconsistência da vida diária grassam em todos os segmentos de nossa sociedade, incluindo os bem-educados e ricos. O que está em jogo é a próxima geração, sobretudo a dos homens que, quando adultos, ficam especialmente vulneráveis a forças desintegradoras como os efeitos devastadores do divorcio, da pobreza, e do desemprego. Freire fala que ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo:

Intervenção que além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento... Nem apenas reprodutora nem apenas desmascaradora da ideologia dominante  (FREIRE 1996, 98)

De uma certa forma coloca GOLEMAN (2007) Tudo isso acarreta, mesmo para pais bem-intencionados, a perda, cada vez maior, de incontáveis oportunidades para pequenos e protetores intercâmbios com seus filhos, fundamentais para o desenvolvimento das aptidões emocionais, e como corretivos ou preventivos bem orientados pais e professores podem manter mais crianças no caminho certo. Na questão agressividade, a agressividade na infância lega que a vida em família dessas crianças agressivas inclui, normalmente, pais que alternam abandono com castigos severos e arbitrários, um comportamento que, talvez compreensivelmente, torna a criança meio paranóica ou belicosa. As pessoas que em geral são agressivas agem com base na presunção de hostilidade ou ameaça, dando muito pouca atenção ao que de fato se passa. ATAIDE(2009) diz:

Na pré-adolescência exacerbem-se os atritos com os familiares porque, cada vez mais, a’’galera’’ ocupa o centro de atenção e interesses do garoto e ele procura libertar-se da família. É, contudo, a partir dos 15 anos ou da adolescência que se acentua a aproximação com as quadrilhas e o crime organizado, porque, além das implicações crescentes de dependência de drogas, há a descrença do pensamento mágico de que tudo vai melhorar um dia. A ambição agora é compensar o passado de privações. ( ATAIDE 2009. 221).

As crianças que , ao entrarem na escola, já trazem de casa um estilo ‘’coercitivo’’-ou seja, ameaçador-também são descartadas pelos professores, que têm de passar muito tempo mantendo a disciplina. O não cumprimento das regras de sala de aula que é característico dessas crianças as faz desperdiçar um tempo que poderia ser utilizado para aprenderem; o futuro fracasso acadêmico se torna óbvio por volta da terceira serie.

Preocupado fala GOLEMAN (2007) Na quarta ou quinta serie esse garoto a essa altura considerada como arruaceiros, ou apenas ‘’difíceis’’ são rejeitados pelos colegas e incapazes de fazer amigos com facilidade, quando o fazem, e já se tornam fracassos acadêmicos. Sentindo-se sem amigos, gravitam pelo lado de outros que também são socialmente marginalizados. Entre a quarta série e o segundo grau, ligam-se a esse grupo e passam a praticar atos de desrespeito à lei; aí, quintuplicam as faltas às aulas, o consumo de bebidas e drogas, que aumentam consideravelmente entre a sétima e a oitava série. No secundário, junta-se a eles outro tipo de ‘’atrasados’’, atraídos por seu estilo contestador, esses atrasados muitas vezes são meninos completamente sem supervisão em casa, e que começaram a vagar pelas ruas já no primário. No ginásio. Esse grupo marginalizado normalmente abandona a escola, descamba para a delinqüência, dedicando-se a pequenos delitos como furto em lojas, roubos e tráfico de drogas.

Para ajudar a melhorar relacionamentos principalmente na escola GOLEMAN (2007) salienta: fazer amigos, sentir-se mais confiante com outros adolescente, impor limites de proximidade sexual, se envolver, manifestar seus sentimentos. Em essência, uma orientação remediadora de algumas das mais básicas aptidões emocionais. Para prevenções o próprio GOLEMAN (2007) traz ingredientes eficazes de aptidões são: Aptidões emocionais; - Identificar e rotular sentimentos, expressar sentimentos, avaliar a intensidade dos sentimentos, lidar com sentimentos, adiar a satisfação, controlar impulsos, reduzir tensões e saber a diferença entre sentimentos e ações. Nas aptidões cognitiva são: - falar consigo mesmo, ler e interpretar indícios sociais, usar etapas para resolver problemas e tomar decisões, compreender a perspectiva dos outros, compreender normas de comportamento e autoconsciência. E por fim as aptidões comportamentais são: não verbais- comunicar-se por contato ocular, expressão facial, tom de voz, gestos e assim por diante, verbais- fazer pedidos claros, responder eficientemente à crítica, resistir a influências negativas, ouvir os outros, participar de grupos positivos de colegas.

É evidente que as causas de todos esses problemas agressão, depressão, na infância e adolescência, arruaceiros, distúrbio de alimentação, raiva, rejeição, e vários outros problemas emocionais que geram comportamentos de analfabetismo emocional como diz GOLEMAN (2007)... São complexas, entremendando diversos dados de herança biológica, dinâmica familiar, uma política aplicada às questões da pobreza a à cultura das ruas. Não existe um tipo único de intervenção, inclusive aquele que diz respeito às emoções, que possa solucioná-los. Mas, na medida em que deficiência emocionais aumentam o risco para a criança-e vimos que aumenta muito-, deve-se dar atenção aos remédios emocionais juntamente com outras medidas. A pergunta é: como é uma educação sobre emoção?

FONTE: Parte da monografia de Jonatan de Jesus.

AMORIM Antonio, LIMA Arnaud Soares Jr. e MENEZES Jaci Maria Ferraz Educação e contemporaneidade processos e metamorfoses Rio de Janeiro: Quartet, 2009

FREIRE Paulo Pedagogia da Autonomia São Paulo: Paz e Terra, 1996.


GOLEMAN Daniel, Inteligência Emocional Rio de Janeiro: Objetiva, 2007; 10ºEd.

INTELIGENCIA EMOCIONAL COMO PRÁTICA PEDAGOGICA.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

By Jonatan de Jesus

A palavra pedagógica derivado da palavra pedagogia, que é teoria e ciência da educação e do ensino. PAULO GHIRALDELLI Jr. (2007) A pedagogia, como conhecemos hoje, possui características básicas estabelecidas com o advento do mundo moderno. Fundamentalmente, ela se define a partir dessa noção essencialmente moderna que é a infância. Isto é, a pedagogia, ou melhor, a pedagogia moderna, é caudatária de dois modos de pensar e compreender a criança cujas origens encontram-se nos séculos XVI. XVII, XVIII. A pedagogia é um campo de conhecimento específico da práxis educativa que ocorre na sociedade. Diferente dos demais que não têm a educação como objeto específico de análise, mas que a ela podem se voltar. A sociologia, por exemplo, na sua raiz não tem a educação como objeto de estudo, mas há sociólogos que se voltam a ela, se valendo dos aportes da ciência sociológica para estudar dimensões da práxis educativa. O mesmo ocorre com a filosofia, a psicologia, a história e outras ciências que se voltam à educação. Essas disciplinas quando voltadas ao campo da educação, constituem nos cursos de pedagogia os fundamentos da educação.
                                                                                                                           
Segundo PAULO GHIRALDELLI Jr. (2007) nos nossos tempos, o termo pedagogia ganha outras conotações. Três tradições de estudos educacionais se responsabilizam pela sua configuração atual: a francesa, na linha da sociologia Émile Durkheim (1858-1917), e as tradições alemã e americana, segundo as filosofias e psicologias de Johann Friedrich Herbart (1776) e John Dewey (1859-1952). LIBÂNEO (2008) a pedagogia como prática cultural, forma de trabalho cultural, que envolve uma prática intencional de produção e internalização de significados...a educação é uma prática social que busca realizar nos sujeitos humanos as características de humanização plena. Desta forma argumenta PERRENOUD(1999) Hoje, é de bom-tom preocupar-se com a eficácia, a eficiência e a qualidade da educação escolar. Não nos enganemos: o objetivo é conservar o adquirido, gastando menos, uma vez que os Estados não têm mais os meios de desenvolver a educação como nos tempos de crescimento. Fazer melhor com menos; tal é a divisa dos governos há alguns anos.


Para ajudar a melhorar relacionamentos principalmente na escola GOLEMAN (2007) salienta: fazer amigos, sentir-se mais confiante com outros adolescente, impor limites de proximidade sexual, se envolver, manifestar seus sentimentos. Em essência, uma orientação remediadora de algumas das mais básicas aptidões emocionais. Para prevenções o próprio GOLEMAN (2007) traz ingredientes eficazes de aptidões são: Aptidões emocionais; - Identificar e rotular sentimentos, expressar sentimentos, avaliar a intensidade dos sentimentos, lidar com sentimentos, adiar a satisfação, controlar impulsos, reduzir tensões e saber a diferença entre sentimentos e ações. Nas aptidões cognitiva são: - falar consigo mesmo, ler e interpretar indícios sociais, usar etapas para resolver problemas e tomar decisões, compreender a perspectiva dos outros, compreender normas de comportamento e autoconsciência. E por fim as aptidões comportamentais são: não verbais- comunicar-se por contato ocular, expressão facial, tom de voz, gestos e assim por diante, verbais- fazer pedidos claros, responder eficientemente à crítica, resistir a influências negativas, ouvir os outros, participar de grupos positivos de colegas.

A compreensão e análise de emoções (conhecimento emocional) incluem desde a capacidade de rotular emoções, englobando a capacidade de identificar diferenças e nuances entre elas (como gostar e amar), até a compreensão da possibilidade de sentimentos complexos, como amar e odiar uma mesma pessoa, bem como as transições de um sentimento para outro, como a de raiva para a vergonha, por exemplo. Finalmente, o controle reflexivo das emoções para promover o crescimento emocional e intelectual refere-se à capacidade de tolerar reações emocionais, agradáveis ou desagradáveis, compreendê-las sem exagero ou diminuição de sua importância, controlá-las ou descarregá-las no momento apropriado. Esse modelo de quatro níveis acabou sendo reduzido a um modelo de três níveis correspondentes à percepção, compreensão e controle de informações carregadas de afeto em decorrência de estudos fatoriais de validade de construto. Nesse trabalho, focalizasse-á apenas a primeira ramificação do construto, relacionado à capacidade de perceber emoções.


Os jovens sempre discordaram com os erros dos adultos, sempre foram contestadores, sempre lutaram positivamente pelo que pensam. Na contemporaneidade é raro! Muitos se identificam e amam o sistema social criados por adultos, sistemas esses que os transforma em consumidores, que sufoca sua identidade e seus projetos. Temos encontrado uma geração que quer tudo rápido, pronto sem elaborar, sem batalhas para conquistar, uma geração analfabeta emocional, uma geração que procura usar processos mágicos para lidar com suas frustrações, que tem dificuldade de pensar antes de reagir, muitos desses não têm proteção emocional. Na escola o professor esse mediador do desenvolvimento não só cognitivo mas também emocional da criança, tendo em vista o caos dos resultados apresentado da juventude contemporânea. Como diz Paulo Freire (1996), ensinar exige pesquisa, não existe ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, recuperando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciara novidade.

Na sala de aula esse pesquisador no papel de professor mediador do conhecimento, aplica de maneira ensino-aprendizagem as técnicas ou estratégias de preparação emocional com o tempo o mediador e o aluno ganharão prática nos cinco passos da preparação emocional. Ficarão mais conscientes dos sentimentos e mais dispostos a expressá-los. Isso não significa que a preparação emocional garanta um mar de rosas. Provavelmente em sala de aula encontrara no mínimo alguns obstáculos, eventualmente pode querer entrar em contato com as emoções do aluno, mas, por um motivo qualquer, não conseguir captar um sinal. Às vezes também, por mais que tente, o professor não consegue transmitir sua mensagem a criança, provavelmente o mediador pode sentir que ela está perdida no mundo dela e que o professor está falando com a parede.

JOHN GOTTMAN. com JOAN DeCLAIRE( 1997), fornece estratégias adicionais que ajudam aos pais lhe darem com seus filhos e podem ser desenvolvidas na escola em sala de aula como: não seja excessivamente crítico com seu aluno, não humilhe nem caçoe dele; esqueça seu programa educativo; faça mentalmente um mapa da vida do aluno; evite ficar ao lado do inimigo; não tente impor suas soluções aos problemas de seu aluno; der forças ao seu aluno oferecendo opções respeitando desejos; seja honesto com seu aluno; participe dos sonhos e fantasias do seu aluno; seja paciente e acredite na natureza positiva do desenvolvimento humano. Existe a necessidade de nos atermos, de nos preocuparmos com a formação em todos os sentidos da criança, para termos no amanhã jovens maduros emocionais ensinar exige a convicção de que a mudança é possível PAULO FREIRE (1996) No mundo da história, da cultura, da política, constato não para me adaptar mas para mudar...Há perguntas a serem feitas insistentemente por todos nós e que nos fazem ver a impossibilidade de estudar por estudar. De estudar descomprometidamente como se misteriosamente, de repente, nada tivéssemos que ver com o mundo, um lá fora e distante mundo, alheado de nós e nós dele.
 

FONTE: Texto produzido por Jonatan de Jesus, parte de sua própria monografia.

A espada mágica

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Existe uma história muito, muito antiga, do tempo dos cavaleiros em brilhantes armaduras, sobre um jovem comum que estava com muito medo de testar sua habilidade com as armas, no torneio local.
Certo dia, seus amigos quiseram pregar-lhe uma peça e lhe deram de presente uma espada, dizendo que tinha um poder mágico muito antigo. O homem que a empunhasse jamais seria derrotado em combate.
Para surpresa deles, o jovem correu para o torneio e pôs em uso o presente, ganhando todos os combates. Ninguém jamais vira tanta velocidade e ousadia na espada.
A cada torneio, a notícia de sua maestria se espalhava, e não tardou a ser ovacionado como o primeiro cavaleiro do reino.
Por fim, achando que não faria mal nenhum, um dos seus amigos revelou a brincadeira, confessando que o instrumento não tinha nada de mágico, era só uma espada comum.
Imediatamente o jovem cavaleiro foi dominado pelo terror.
De pé na extremidade da área de combate, as pernas tremeram, a respiração ficou presa na garganta e os dedos perderam a força. Incapaz de continuar acreditando na espada, ele já não acreditava mais em si mesmo.
E nunca mais competiu.

Reflexão:
Será que precisamos de "Mágica" em nossa vida ou temos consciência de nosso valor e de nosso potencial?
Autor desconhecido

ABGLT: kit anti-homofobia do MEC não ensina a ser homossexual

quarta-feira, 18 de maio de 2011
 
Toni Reis é presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais


O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, afirmou nesta quarta-feira que o grupo de entidades que criou o kit "Escola sem Homofobia" se reuniu ontem com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para apresentar o material que deve ser usado nas escolas públicas no segundo semestre deste ano. Reis criticou os parlamentares que são contra o kit e disse que "é mentira que ensina a ser homossexual".
Ao dizer que os vídeos têm por objetivo "promover o respeito à diversidade", Reis citou o deputado Jair Bolssonaro (PP-RJ), que distribuiu um panfleto em que afirma que "o MEC incentiva o homossexualismo nas escolas públicas".
O presidente da associação afirmou que o ministro e pelo menos dez parlamentares que acompanharam a reunião, elogiaram o material. "Estamos muito felizes que o kit já passou por diversas fases de aprovação no ministério. Agora esta no comitê editorial", disse, ao afirmar que essa é a última etapa para que seja levado às escolas públicas.
"Ainda não foi definida uma data, porque tem que passar pelo comitê editorial. Mas em breve terão início as capacitações dos professores nos Estados", disse Reis. Segundo ele, serão preparados agentes multiplicadores nas regiões, que irão treinar os professores das escolas públicas para debater com os alunos do ensino médio o material.
Segundo a ABGLT, o kit é composto de um caderno de apresentação - que traz sugestões de atividades para o professor trabalhar o tema em sala de aula - seis boletins para os alunos, cartaz e vídeos.
Três supostos vídeos estão disponíveis na internet: Encontrando Bianca (fala sobre transexualidade), Torpedo (relação entre duas meninas lésbicas) e Probabilidade (trata da bissexualidade), no entanto, após reunião com parlamentares da bancada evangélica e católica da Câmara dos Deputados, o ministro Fernando Haddad negou que o material em circulação conhecido como "kit gay" seja oficial do MEC.
De acordo com o ministério, os vídeos, com duração média de 5 minutos, serão trabalhados em sala de aula (não são para distribuição aos alunos). O material deverá ser enviado a 6 mil escolas de ensino médio no segundo semestre.

Unesco é a favor da distribuição de kit anti-homofóbico
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) deu, nesta semana, parecer favorável à distribuição de kits informativos de combate à homofobia em escolas públicas. Na avaliação da organização, a medida "contribuirá para a redução do estigma e da discriminação, bem como para promover uma escola mais equânime e de qualidade".
O material se encontra sob análise do Ministério da Educação (MEC). O kit homofobia, como vem sendo chamado, foi elaborado por entidades de defesa dos direitos humanos e da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis) a partir do diagnóstico de que falta material adequado e preparo dos professores para tratar do tema. O preconceito contra alunos homossexuais tem afastado esse público da escola, apontam as entidades.
"Todas as pesquisas mostram que em torno de 40% da população escolar têm preconceito com esse público. O material vai ensinar os professores a trabalhar isso", defendeu Toni Reis, presidente da ABGLT. O kit é formado por cartazes, um livro com sugestão de atividades para o professor e três peças audiovisuais sobre o tema. O material foi elaborado pelo projeto Escola sem Homofobia, a partir de seminários e de uma pesquisa aplicada em escolas públicas.
A previsão é de que o material fosse distribuído a 6 mil escolas, mas começou a enfrentar resistência em alguns setores da sociedade. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) quer convidar o ministro da Educação, Fernando Haddad, para prestar esclarecimentos no Congresso e permitir que os parlamentares tenham acesso ao material. Ele é contra a proposta e promete mobilizar a bancada religiosa para impedir a distribuição dos kits.
Para a pesquisadora em sexualidade e professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Claudiene Santos, a polêmica existe porque ainda há a crença de que a homossexualidade pode ser ensinada ou incentivada pela escola. "Na verdade, o que está se discutindo é uma diversidade que já existe, não foi a escola que inventou. Há um temor da sociedade quando se mexe naquilo que se entende como padrão ou o que chamamos de sexualidade hegemônica", explicou.
A pesquisadora apontou que afastada da escola pelo preconceito, a população LGBT acaba marginalizada, sem acesso a bons empregos ou à qualificação profissional. "Será que todo travesti gosta de ir para a prostituição ou a gente não dá espaço para que essas pessoas tenham acesso aos direitos que todo cidadão tem?", questionou.


Professora transexual: educador não quer discutir homofobia


A transexual e professora Marina Reidel discute a homofobia com os alunos da Escola Estadual Rio de Janeiro, em Porto Alegre
Foto: Nabor Goulart/Agência FreeLancer/Especial para Terra


Angela Chagas
Direto de Porto Alegre
Nesta terça-feira, dia que marca a luta mundial de combate à homofobia, especialistas em educação apontam que os professores têm o desafio de discutir o combate ao preconceito no ambiente escolar. Para a transexual Marina Reidel, professora de artes e ética de um colégio público de Porto Alegre (RS) e mestranda em educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o maior problema está relacionado à falta de interesse dos profissionais em discutir o tema. "Eu acho que há uma acomodação, os professores não querem se envolver com esses temas, eles dizem que isso não tem relação com a disciplina deles. Mas precisam entender que isso faz parte das nossas vidas, está nos meios de comunicação, na internet, basta procurar um especialista, uma ONG para levar essa discussão para a escola".
A pós-doutora em Cultura Visual e professora do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jane Felipe, concorda que a escola deve dicutir o tema. "Os professores devem tratar da homofobia desde o começo, nas séries iniciais, para evitar que as crianças cresçam com o preconceito", diz a especialista.
Professora há 20 anos, Marina entende bem do assunto. Quando criança passou pelo mesmo preconceito que ainda está presente em muitas escolas brasileiras. "Desde pequena eu era agredida. Nas escolas que estudei, as equipes de direção não faziam nada para evitar que isso acontecesse, eram negligentes. Uma vez a direção disse que eu era diferente e que, por causa do meu jeitinho, os colegas me agrediam".
Apesar das humilhações que sofreu na escola, Marina decidiu que queria ser professora. Nessa época era conhecida como Mario, nome que ainda leva na carteira de identidade. Em 2006, quando já trabalhava como professora da Escola Estadual Rio de Janeiro há 3 anos, decidiu se afastar um tempo das aulas para assumir a nova identidade. Trocou as calças e camisas pelo salto alto e vestido, fez plástica e retornou para a escola como mulher.
"Os professores prepararam os alunos para a minha transformação, explicaram sobre a transexualidade. Eles estavam com uma expectativa muito grande, mas foi super tranquilo. Fui muito bem recebida de volta, não tive nenhum problema com os pais e os estudantes", afirma. Após a mudança, a professora percebeu que tinha o apoio da comunidade escolar para desenvolver ações voltadas à inclusão das diferenças. "Hoje todos os alunos sabem que eu sou transexual e respeitam muito o meu trabalho na escola".
A partir da iniciativa da ONG Somos, que orienta os estudantes sobre sexualidade e diversidade, Marina começou a dar aulas de ética nas turmas de sétima e oitavas séries para tratar de direitos humanos e respeito às diversidades. "Substituímos a disciplina de ensino religioso pela de ética e cidadania e passamos a tratar da homofobia, do preconceito contra negros, das questões de gênero", explica. Segundo ela, os alunos das outras turmas também participam das discussões por meio de oficinas com especialistas da ONG, que vão até a escola realizar atividades. "Eles adoram as oficinas, porque nós discutimos aquilo que muitas vezes não é falado em casa e que estão presentes no dia a dia deles".

Kits contra homofobia
O Ministério da Educação (MEC) vai oferecer às escolas brasileiras no segundo semestre de 2011 um kit contra a homofobia. Marina participou de um treinamento realizado em São Paulo para representantes de todos os Estados sobre o material, que segundo ela, "é um grande avanço".
De acordo com informações do MEC, um dos vídeos mostra a relação de duas lésbicas na escola. "Acho a iniciativa dos kits importante, mas cabe às secretarias estaduais e ao próprio ministério promover a equidade de gênero nas escolas. As pessoas em geral ignoram como se constitui a identidade de gênero, não sabem que é uma questão histórica. Por isso, é importante que o professor tenha um conhecimento teórico as temáticas", afirma Jane Felipe.
"Essa discussão não pode ser feita na base do improviso. O professor tem que estudar muito porque a principal função dele é ampliar o conhecimento dos alunos. Os governos precisam investir nessa formação continuada para que ele esteja capacitado para lidar com essas temáticas da diversidade", diz a professora da UFRGS.
Para que os educadores se sintam preparados para abordar a homofobia, a Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul começou, em abril deste ano, o trabalho de capacitação de gestores regionais, que irão "multiplicar o conhecimento" nos municípios. Iris de Carvalho, assessora da equipe da Diversidade do Departamento Pedagógico da secretaria, afirma que os professores estão sendo estimulados "a trabalhar a questão de como o ambiente escolar enfrenta a homofobia e como recebe a diversidade".
Iris afirma que no Estado as coordenadorias de educação estão sendo estimuladas a fazer parcerias com as prefeituras, as universidades e as ONGs para a formação dos professores sobre a sexualidade. "Queremos acabar com a lógica de que é só responsabilidade do professor de biologia discutir isso, mas que é uma ação pedagógica planejada por todas as áreas da educação. E que também não é envolve só as temáticas da gravidez e da aids, mas principalmente as questões de gênero".
Na Bahia, onde a Secretaria Estadual de Educação exonerou do cargo na sexta-feira a vice-diretora de uma escola de Salvador que suspendeu um aluno de 11 anos por "indecência" ao fazer carinho na cabeça de um colega, não há uma política específica de combate à homofobia nas escolas. "Não temos uma ação específica, mas geral de que não pode haver discriminação", diz o chefe de gabinete da secretaria, Paulo Pontes. De acordo com ele, após o a atitude "equivocada" da vice-diretora, representantes da secretaria estão realizando reuniões com os educadores para discutir o tema e evitar que ocorram novos casos.

Família
O MEC pretende disponibilizar o conteúdo dos kits para alunos do ensino médio, mas a professora do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da UFRGS afirma que não só a escola, mas também a família devem promover o respeito às diferenças desde cedo. "Tantos os pais quanto os educadores não devem dizer aos meninos, por exemplo, que se eles tiverem um comportamento diferente do convencionado é porque são 'bichinhas'", diz.
Jane Felipe afirma que desde quando são bebês, as crianças precisam aprender o respeito. "Muitas vezes as famílias ensinam a discriminar, a ter olhar de desprezo aos pobres, negros e homossexuais. A escola sozinha não faz milagre, precisa da parceria e do apoio dos pais", diz a especialista.
A transexual Marina Reidel concorda com a especialista. "As famílias, os professores e a equipe da direção sempre apoiaram o meu trabalho. Tenho orgulho do que conquistei e do que fazemos para promover a inclusão", diz a transexual. "Eu não quero que as pessoas pensem igual a mim, nunca cobrei isso dos meus alunos, eu só quero que eles respeitem as diferenças", conclui.






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