Q.I e Q.E na educação

quarta-feira, 27 de abril de 2011
1.1  QI e QE: uma reflexão histórica.


Podemos encontrar nos nossos 6.000 anos de história registros métodos e instrumentos engenhosos para medir átomos, desde objetos até os planetas, métodos para medir temperatura das estrelas, as massas dos elétrons, a idade dos fosseis, velocidade da luz e do som, a pressão atmosférica o comprimento de onda de cores, as chances de duas pessoas serem parentes e as chances de um bilhete

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de loteria ser premiado, temos registros de descrições de métodos para medir muita coisa, porém nenhuma que seja apropriado para medir a inteligência.

Os Chineses no século V da nossa era aplicavam exames com a finalidade de dividir a população em três castas, de acordo com a capacidade intelectual, distribuindo assim as funções e as responsabilidades de acordo com a habilidade de cada um, esses testes consistiam basicamente em avaliar a capacidade mnemônica, a capacidade para interpretar os textos clássicos e a habilidade para escrever poemas esses provavelmente foram os primeiros testes cognitivos de que se têm registros.

No século V a.C. Pitágoras testava os aspirantes a se tornarem seus pupilos, mas eram testes de conhecimento geométrico, dificilmente considerava-se testes de inteligência. Luiz Pasquali afirma que os testes já eram usados na China antes de Cristo a 3.000, já para Anne Anastasi diz que os testes chineses eram usados durante 2.000anos (sem especificar de quando a quando). Fazendo um comentário breve que foram usados exames na Grécia Antiga e na Europa medieval. Porém nesses casos, tratava-se de testes de cultura, com baixo teor de inteligência fluida, sendo que os testes chineses do século V d.C. certamente foram os primeiros testes, no sentido mais estrito do léxico. Davidoff revela:


Alfred Binet Foi que criou a primeira medição prática da inteligência. De inicio, Binet e seus colaboradores mediram habilidades sensoriais e motoras,...logo percebeu que tais avaliações não funcionariam e começaram a observar as habilidades cognitivas: duração de atenção, memória, julgamentos estéticos e morais, pensamentos lógico e compreensão de sentenças, como medidas de inteligência. (DAVIDOFF 2001,290).


NO século XX, mais precisamente em 1904, os testes de inteligência passaram a ser instrumentos clínicos a seguir procedimentos padronizado com a dedicação dos trabalhos de Alfred Binet e Theodore Simon, publicando pela primeira vez no ano de 1905. Desta forma William Stern no ano de 1912 sugeriu o termo ‘’QI’’ (quociente de inteligência) para representar o nível mental, propondo assim que o QI fosse determinado pela divisão da idade mental pela idade cronológica. O conceito QI começa a sofrer mudanças no processo de normalização e conceito, mesmo a
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sugestão de Stern tenha sido aceita por seus contemporâneos os estudos desenvolvidos desde a época de Binet revelavam que o desenvolvimento mental em função a idade cronológica não era linear, sendo assim a hipótese de Stern desde a época em que foi proposta, não havia satisfatoriamente os dados experimentais sendo que tudo indica Binet já sabia dessas possíveis distorções bem antes de começarem a disseminar o conceito inadequado de QI, como representação da divisão da idade mental pela cronológica. Binet não apreciava o termo Idade Mental, preferia Nível Mental porem Binet faleceu em 1911 e não havia quem contestasse o sistema proposto por Stern, sendo assim os procedimentos inadequados continuaram a ser usados durante algumas décadas, produzindo distorcidos resultados.

LINDA DAVIDOFF (2007,291) diz: Binet considerava seu teste imperfeito. Ele achava que as tarefas em si não eram importantes; o que realmente importava era identificar alunos com necessidades educacionais similares. Binet não era a favor de classificar cada examinando pelo resultado do teste e de atribuir números para descrever seu desempenho.

[...] Lewis Terman, um psicólogo fez uma revisão amplamente aceita do teste de Binet, em 1916. Esse teste ficou conhecido como Stanford-Binet. Quando o teste foi divulgado, Terman adotou o termo Quociente de Inteligência, ou QI, criado por cientistas alemães. QI é um numero que descreve o desempenho relativo em um teste. Ele compara resultados obtidos por um individuo com aqueles de outros indivíduos da mesma idade ( DAVIDOFF 2007,291).

O que está no cerne do comportamento inteligente? LINDA DAVIDOFF (2001,283) Para alguns psicólogos, a ênfase está no pensamento abstrato e no raciocínio [...] Para outros, o foco está nas capacidades que possibilitam a aprendizagem e a acumulação de conhecimentos. Outros ainda frisam a competência social: se as pessoas conseguem resolver os problemas apresentados por sua cultura. Na época atual os psicólogos não sabem sequer se há um único fator geral do qual dependem todas as habilidades cognitivas. Linda ainda enfatiza:

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Muitas tentativas já foram feitas no sentido de definir a inteligência e provavelmente haverá muitas mais até que uma revele-se satisfatória. Nenhuma definição isolada conta com a adesão da maioria dos psicólogos, sendo as controvérsias muito numerosas (DAVIDOFF2001, 283).


Inteligências Múltiplas a idéia de definir e mensurar a inteligência tem pouco mais que um século. Começou com Alfred Binet, médico francês, que identificou dois tipos de inteligência: a lógico-matemática e a linguística ou verbal. Desde então, seu modelo foi aceito e considerado para a formação de currículos de todas as escolas do mundo. Um novo e grande passo na compreensão do que é e como funciona a inteligência somente seria dado por Howard Gardner e sua equipe da Universidade de Harvard quando, nos anos 80, descobriu e propôs que o ser humano teria não uma ou duas, mas várias inteligências, relacionadas a habilidades específicas que iam da montagem de blocos à música, à pintura e ao autoconhecimento. Acompanhando o desempenho profissional de pessoas que haviam sido alunos fracos.

DAVIDOFF (2001) a maioria dos atuais pesquisadores concorda com Thurstone em que fatores múltiplos efetivamente entram no comportamento inteligente [...], por exemplo, Gardner. Muitos investigadores da inteligência presumem que pessoas brilhantes pensam relativamente rápidas (Eysenck, 1982; setembro, 1985). A questão da velocidade cognitiva é complexa alguns tipos de comportamento inteligente estão ligados a velocidade. Por ora, há que se concluir que inteligência e velocidade mental não são a mesma coisa, embora esteja às vezes relacionadas

O termo QE, introduzido por Goleman, representando Inteligência Emocional, tem sido interpretado incorretamente por muitos, o próprio Goleman nos seus artigos demonstra compreender claramente a importância do QI e criou o QE para ser um
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complemento aos testes de QI, mas muitas pessoas, talvez pelo fato de não terem bons escores em testes de QI, distorcem este fato e tentam divulgar a informação que o QI deixou de ser uma medida adequada para prognosticar desempenho profissional e acadêmico, e agora o QE é que tem esta função. Isso está errado e contradiz o que é professado pelo Goleman, o fato é que o QI combinado ao QE são dois importantes indicativos de desempenho, sendo o QI mais fidedigno e mais predito, por ser objetivo e não depender tanto da capacidade do examinador da interpretação idiossincrática das respostas.

Emoções perturbadoras, relacionamentos nocivos já foram identificados como fatores de risco para doenças. Aqueles que conseguem gerenciar suas vidas emocionais com mais serenidade e autoconsciência parecem ter uma vantagem clara e considerável na saúde. (GOLEMAN 2007:13).



Devido muitos equívocos em relação ao QI e QE, por exemplo: é que o QE pode ser mais importante do que o QI em áreas como desempenho acadêmico, onde ele não se aplica sem as devidas ressalvas. A forma mais extrema desse equivoco é o mito de que o QE é mais importante do que o QI em qualquer área. A inteligência emocional prevalece sobre o QI apenas naquelas áreas ‘’tenras’’ nas quais o intelecto é relativamente menos relevante para o sucesso, nas quais, por exemplo, autocontrole emocional e empatia podem ser habilidades mais valiosas do que aptidões meramente cognitivas; dessa forma algumas dessas áreas são extremamente importantes em nossas vidas a saúde vem logo à mente ressalta Daniel Goleman:

Se o QE se tornar tão difundido quanto o QI, e tão enraizado na sociedade como medidor das qualidades humanas, creio que nossas famílias, escolas, empregos e comunidades serão todos mais humanos e alentadores. (GOLEMAN, 2007:17)


Descobertas sobre a liderança nos negócios e nas profissões expõem um quadro mais complexo. A pontuação de QI prognostica muito bem se podemos arcar com os desafios cognitivos que uma determinada posição nos oferece. Centenas talvez milhares, de estudos demonstraram que o QI prevê quais níveis uma pessoa pode exercer numa carreira. Isto é inquestionável. Porém o QI cai por terra quando a questão é prognosticar quem, em meio a um grupo talentoso de candidatos inserido numa profissão intelectualmente exigente, será o melhor líder, nisso prevê da melhor forma quem dentre o grupo de pessoas muito inteligentes será o líder mais hábil. Novamente, uma habilidade de QE se faz necessária, embora não seja suficiente, para determinar competência ou aptidão profissional. Desta forma se acreditamos na formação de competências ficamos com Perrenoud:

Se acreditarmos que a formação de competências não é evidente e que depende em parte da escolaridade básica, resta decidir quais ela deveria desenvolver prioritariamente. Ninguém pretende que todo saber deve ser aprendido na escola. Uma boa parte dos saberes humanos é adquirida por outras vias. Por que seria diferente com as competências? Dizer que cabe à escola desenvolver competências não significa confiar-lhe o monopólio disso. .(PERRENOUD 1999,39).

O processamento de informações emocionais é explicado através de um sistema de quatro níveis, que se organizam de acordo com a complexidade dos processos psicológicos que apresentam: a) percepção, avaliação e expressão da emoção; b) a emoção como facilitadora do pensamento; c) compreensão e análise de emoções; emprego do conhecimento emocional; e d) controle reflexivo de emoções para promover o crescimento emocional e intelectual, descritos a seguir.

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É da máxima importância reconhecer e estimular todas as variadas inteligências humanas e todas as combinações de inteligências. Nós somos todos tão diferentes, em grande parte, porque possuímos diferentes combinações de inteligências. Se reconhecermos isso, penso que teremos pelo menos uma chance melhor de lidar adequadamente com os muitos problemas que enfrentamos neste mundo. Howard Gardner (1987)

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