Entre a emoção e a inteligência

quarta-feira, 27 de abril de 2011
Entre a emoção e a inteligência: um desafio.

HELOISA DANTAS (1992) Na psicogenética de Henri Wallon. A dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto no ponto de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento. Ambos se iniciam num período que ele denomina impuso-emocional e se estende ao longo do primeiro ano de vida. Nesse momento a afetividade reduz-se praticamente às manifestações fisiológicas da emoção, que constitui, portanto de partida do psiquismo. A sua teoria da emoção, extremamente original, tem uma nítida inspiração darwinista: ela é vista como o instrumento de sobrevivência típico da espécie humana, que se caracteriza pela escassez da prole e pelo prolongado período de dependência. Enfatiza GOLEMAN (2007):

As pessoas com prática emocional bem desenvolvida têm mais probabilidade de se sentirem satisfeita e de serem eficientes em suas vidas, dominando os hábitos mentais que fomentam sua produtividade; as que não conseguem exercer nenhum controle sobre sua vida emocional travam batalhas internas que sabotam a capacidade de concentração no trabalho e de lucidez de pensamento. (GOLEMAN 2007,60).

Aconselha GARDNER (1995) Nossas capacidades intelectuais são intricadamente determinadas pelos contextos que vivemos e pelos recursos humanos e materiais à nossa disposição... Inteligências funcionam juntas para resolver problemas, para produzir vários tipos de estados finais culturais ocupações, passatempos e assim por diante. Esta é minha teoria da inteligência múltipla de maneira resumida. Em minha opinião, o propósito da escola deveria ser o de desenvolver as inteligências e ajudar as pessoas a atingirem objetivos e ocupação e passatempo adequado ao seu espectro particular de inteligências. As pessoas que são ajudadas a fazer isso acredito, se sentem mais encorajadas e competentes, e, portanto mais inclinadas a servirem à sociedade de uma maneira construtiva.

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Quantas são as emoções que as pessoas sentem? Os pesquisadores encontram evidência persuasiva de que pelo ao menos seis emoções são experienciadas no mundo inteiro: alegria, raiva, desagrado, medo, surpresa e tristeza... Vária outra emoção, dentre elas interesse e vergonha, desprezo e culpa, podem também ser universais (DAVIDOFF2001, 369).

Comenta HELOISA DANTAS (1992) A afetividade não é apenas uma das dimensões da pessoa: ela é também uma fase do desenvolvimento, a mais arcaica. O ser humano foi, logo que saiu da vida puramente orgânica, um ser afetivo. Da afetividade diferenciou-se, lentamente, a vida racional. Portanto, no início da vida, afetividade e inteligência estão sincreticamente misturadas, com o predomínio da primeira... a emoção traz consigo a tendência para reduzir com eficácia do funcionamento cognitivo, neste sentido, ela é regressiva. Mas a qualidade final do comportamento do qual ela está na origem dependerá da capacidade cortical para retomar o controle da situação. Se ele for bem-sucedido, soluções inteligentes serão mais facilmente encontradas.

Muito antes de poderem comunicar qualquer outra coisa, começando pelo primeiro dia de vida, juntamente com os motivos, os bebês já transmitem emoções. O choro mostra o incômodo do bebê em função do surgimento de necessidades como a fome. Reações positivas, como alegria, surgem quando as necessidades do recém-nascido são satisfeitas... os recém-nascidos sobressaltam-se, mostrando assim um primeiro sinal de medo. Expressão também interesse e desagrado (DAVIDOFF 2001,369).

Desta forma preocupado, comenta PERRENOUD (1998) Todos os professores são chamados a " organizar e animar situações de aprendizagem ". Se não tiverem nenhuma competência nessa área, pode-se perguntar por que escolheram essa profissão e como obtiveram o direito de ensinar. No entanto, quem poderia se vangloriar de ter adquirido um total domínio desse área de competência ? E, sobretudo, quem poderia ignorar que a própria concepção do ensino, das situações de aprendizagem e do papel do professor evoluiu profundamente nos últimos vinte
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anos, com o impulso da pesquisa em didática das disciplinas e da experiência das escolas ativas, da escola nova, do movimento Freinet, das pedagogias de projeto, etc.? Hoje, parece claro que ensinar não consiste mais em dar boas lições, mas em fazer aprender, colocando os alunos em situação que os mobilizem e os estimulem em sua zona de desenvolvimento proximal, permitindo-lhes dar um sentido ao trabalho e ao saber. Quem poderia pretender, hoje, dominar conceitualmente e, mais ainda, praticamente, a arte de organizar e animar situações de aprendizagem? Competência elementar em seu nível mais baixo e estrela inacessível em seu nível mais aprimorado, essa competência é o canteiro de uma obra longe ainda de estar concluída.

Sendo assim fica compreendido que DAVIDOFF (2001), as emoções são feitas de componentes subjetivos, comportamentais e fisiológicos os aspectos mais vividos das emoções provavelmente são os sentimentos e pensamentos HELOISA DANTAS (1992), na primeira etapa, correspondente ao primeiro ano de vida, dominam as relações emocionais com o ambiente e o acabamento da embriogênese: trata-se nitidamente de uma fase de construção do sujeito, onde o trabalho cognitivo está latente e ainda indiferenciado da atividade afetiva. Entender a relação entre emoção e inteligência, encarar como um desafio no ambiente pedagógico e fazer com que o desempenhos tanto cognitivo e emocional desenvolvam-se de maneira mutua é uma questão mais que real ela é moderna é atual é contemporânea como BAUMAN (2004) declara: vai levar tempo para que se assimile a nova situação global, e particularmente para que se possa confrontá-la de maneira efetiva, o que sempre ocorreu com todas as transformações realmente profundas da condição humana.





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Quando voltamos a nossa atenção para um ambiente especifico como a escola, surge a pergunta de qual seria a melhor maneira de ajudar os alunos a se adaptarem e dominarem aquele ambiente. Em nossa opinião, um esforço amplo para aumentar as inteligências escolares deve levar em conta vários fatores. Por exemplo, este esforço precisa considerar as condições especifica daquele ambiente, variando da organização física das classes ás exigências das disciplinas específicas. Ele também tem que considerar as habilidades específicas que os alunos trazem para as tarefas e o ambiente geral da escola, assim como os meios pedagógicos ótimos para ajudar os alunos a desenvolverem ou alterarem suas capacidades e atitudes, para que estas sejam mais adequadas às exigências do contexto escolar.(GARDNER 2007, 107).

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É da máxima importância reconhecer e estimular todas as variadas inteligências humanas e todas as combinações de inteligências. Nós somos todos tão diferentes, em grande parte, porque possuímos diferentes combinações de inteligências. Se reconhecermos isso, penso que teremos pelo menos uma chance melhor de lidar adequadamente com os muitos problemas que enfrentamos neste mundo. Howard Gardner (1987)

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